25.4.12

Reflexos de amor


"...ela havia decido e não voltaria mais atrás.Mesmo com dor , tinha tomado essa decisão e não poderia retroceder.Era fim de tarde e o por do sol se fazia digno de admiração, olhou demoradamente pela janela de seu quarto, viu o mar revolto e em suas águas os reflexos dos últimos raios de sol daquele dia frio de outono.
Resolveu caminhar na praia, tomou o seu xale e saiu sozinha.Andava sem rumo e sem pretensões, debaixo dos pés a areia fofa evoca lembranças pertubadoras, reflexos de um passado que queria esquecer.Reflexos de si mesma e da menina sonhadora que fora um dia.A quem queria enganar ? Ao sair pra caminhar, procurara justamente estar mais próxima dessas lembranças que eram livremente evocadas quando estava naquele pedaço de praia deserta .Por isso decidira ir embora no máximo até a próxima semana, já avisara a família, colocaria o casarão à venda e partiria pra nunca mais voltar.Tudo naquele lugar refletia o passado, trazendo-o para o presente de uma maneira pertubadora.Setou-se a beira do mar, e vislumbrou em suas águas os reflexos da felicidade que um dia vira escapar entre seus dedos, qual areia que se esvai vagarosamente.Ouviu uma voz doce chamando seu nome, e um toque suave em seus cabelos.Virou-se, entre assustada e expectante, mas só o vento da noite lhe saudou .Não havia ninguém, há muitos anos já não havia ninguém .Apenas reflexos pertubadores e saudosistas e que massacravam-lhe o coração. Por isso iria embora.Não suportava mais reviver todos os dia aquele último dia em que o vira com vida .Chovia, tinham brigado novamente porque ela tivera outra crise de ciúmes, e exigindo dele explicações impossíveis de se dar quando não se está fazendo nada de errado, ele pedira que parasse com aquilo, que tivesse juízo, que a amava, somente a ela , e mais ninguém.No entanto, mimada e cheia de vontades , mandou-o embora de casa, não o queria ver , já que iria zarpar no dia seguinte, o fizesse essa noite mesmo.E ele então pegou suas coisas, botou a toca e o casaco, beijo-lhe a fronte demoradamente e saiu.Tomou o seu barcou e foi-se na tempestade.Dezoito anos depois, ela não saberia dizer o que mais a fazia sofrer, se seria a dúvida de que ele morrera, ou se a desconfiança de que ele preferira não retornar.Voltou para casa, a noite de todo caira e fazia muito frio.Tomou banhou e ao secar os cabelos, cabelos que ele beijava com devoção, viu seu reflexo no espelho.Olhou-se nos fundos dos olhos e encarou a sua maior inimiga e carrasca, pois durante 18 anos  condenou-se e culpou -se pelo que aconteceu, e vislumbrou em sua própria alma os reflexos de uma vida sem sentido e perdida de si mesma."



Lílian Almeida 

Venham se encontrar com a gente no Idéias Compartilhadas, a palavra desta semana é REFLEXOS.
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2 comentários:

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